Último pedido

Último pedido

Era dia 10 de dezembro de 2015, às 22 horasPai-natal-2014
Estava no hospital para visitar meu pai, atrasou
Um pouco a visita, em meio a tantas expectativas
Quem diria que eu e meu pai teríamos a última
Conversa franca e profunda que tivemos a sós
Até a morte física, no dia 30 de dezembro de 2015
Tivemos outras conversas, mas não no mesmo tom
Pois recebi a última orientação de meu pai, o último
Momento de ouvir seus conselhos, ao mesmo tempo
Que ambos confessamos entre nós aquilo necessário
De ser dito para aquele momento em eternidade
Papai pediu-me para não levar tudo tão a sério
Ele me conhecia mais que eu mesmo talvez,
Lembrou-me que dedicar-se ao trabalho material
E as atividades espirituais tem importância, mas
Lembrou-me de aprender a descansar e me divertir
Chegando a dizer para olhar seu exemplo, que tanto
Trabalhou, por pura vontade, mas ficou fechado –
Fazendo o gesto de uma caixa com as mãos em torno
Dos olhos, como fazia tantas vezes ao longo da vida –
Nesse objetivo esquecendo de viver para si mesmo
E quantas vezes abdiquei de sua companhia para dar
Conta dessas atividades ligadas ao espiritismo…
Tenho que chegar a um equilíbrio, afinal, se não viver
E conviver com outras pessoas, isolando-me para dar
Conta dos excessos com os quais me disponho s fazer,
Como posso viver a mensagem exprimida por mim?
Tocou em outro tema delicado, pois que trauma tive
A ponto de me fechar? Criar uma expressão austera
Ao invés de rir o tempo todo e brincar constantemente
O que me levou a de repente ir fechando-me em mim
Não sei… E talvez prefira mesmo não saber o conjunto
De coisas que me fez criar uma barreira em torno de mim
Uma barreira de reclusão, quase monástica, na qual vivo
Pediu-me para tirar essa barreira, não ter medo de ser eu
A todo custo, mesmo que outros em torno estranhem isso
Internamente sei quem sou e minhas visões sobre o mundo
Porém, sempre preferi abster-me de posicionar-me em prol
De harmonizar a situação, quase como um diplomata nato
Mas isso gera máscaras, criando o eu professor, o eu espírita,
O eu ator, o eu amigo, e tantos eus para conviver com todos
Ao esconder-me em mim mesmo, mesmo que para facilitar
A convivência, significa que não convivo com plenitude
Papai tocou no ponto nevrálgico no meu aprendizado atual
Muita sorte eu tive, pois pude receber os últimos conselhos
Sempre diretos e doces, fortes e suaves ao mesmo tempo
Muito obrigado Pai, amou-me tanto a ponto de aproveitar
As últimas conversas para apontar caminhos necessários
A minha transformação moral, pedindo ao final somente
Para ser mais feliz, esse seu último pedido a mim.

Escrita em: 04/01/2016
© 2016 Tiago De Lima Castro

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