Cenário Idílico I

Cenário Idílico I

Ó Morfeu, permita-me adentrar a câmara internamorfeu
Ó Musas, permitam-me compor este quadro íntimo
Em palavras, e que não falte comigo mesmo nessa
Tentativa de exteriorizar anseios existentes em mim

Estou deitado para dormir, o dia pesa-me em fúria
Tudo se repassa em minha visão com seus afetos
Eis que percebo a sublime visão ao meu lado
Sua presença dissipa todo o meu cansaço e furor
Dissipa todo questionamento e todo o vazio
Ela dorme em contagiante serenidade,
Vejo o próprio Belo em si no seu ato de dormir
Lembro-me nossa promessa de compartilhar
A existência e nossos desafios, não para sermos um
Mas pelo anseio da companhia do outro, não para
Prendê-lo, mas pelo outro nos trazer paz e despertar
O anseio de expressar em ações o melhor de nós mesmos
Sentir sua confiança em mim, ao ponto de dormir serena
Ao meu lado faz tudo ser passageiro, pois a certeza do
Amor sereno, tranquilo, de pura compartilha aquietar
Minha alma e despertar o melhor de mim mesmo
Só quero vê-la, pois, acordá-la seria um desrespeito
Também tem seus desafios na vida e os internos, mas
Confia em mim aponto de deixar-se dormir ao meu lado

Ai de mim, saio novamente da porta aberta por Morfeu
Volto novamente a minha realidade e o sonho desvanece
Não somente por ser um sonho, mas por minha própria causa
Nada, talvez, seja como essas expressões líricas dos sonhos
Acredito em amor verdadeiro, sim, ainda acredito nele
Porém, sei que sou incapaz de vivenciá-lo efetivamente
Sou incapaz de amar alguém dessa maneira, sou egoísta
Sei apoiar, sei ser bom amigo, mas não sei dividir a mim
Com outra pessoa, a não ser em composições poéticas
Além do quê, como alguém que repugna o toque físico
Pode dividir a vida com alguém? Como alguém que teme
O beijo, realidade desconhecida a esse, pode realmente
Compartilhar sua existência com alguém? O toque físico
Parece apavorante em muitos momentos, sem falar da
Relação sexual, algo que parecer ter saído do pior dos
Pesadelos já concebidos, nada convence que colocar
Parte de seu corpo no corpo de alguém não é algo
Bárbaro, dolorido e por que não dizer: asqueroso?
Mas se temo tanto o toque físico, por que essas
Imagens e sonhos idílicos? Por que esse anseio de
Dia compartilhar a vida com alguém? Não é só o toque
Que me apavora, mas dividir planos, dividir a vida
Sou muito egoísta, não saberia esquecer de meus
Problemas para reconhecer a beleza da compartilha

Ó Musas, por Apolo e Dionísio me respondam então:
Por que tais construções em minha mente, porque
Habitam a mim a ponto de Morfeu a trazerem a
Vida em meus sonhos, por que?
Ai de mim, ainda aparento entender de Amor, mas
São as Musas, é Apolo e Dionísio que falam em mim
É Éros que usa das Musas para escrever através de mim
Pois seu que passarei a existência sozinho, cultivando
A Philia como um bom amigo a sempre apoiar, talvez
Expressando Ágape, a caridade que tanta me preenche
Mas não exatamente sem intencionalidade, pois aquele
Que só sabe viver sozinho, um eremita confesso e atuante
Só o consegue se preencher a existência de expressões
De amizade e amor desinteressado aos que necessitam
Pois amar a uma pessoa, não é possível, ainda não o é
Mas por que esses cenários ainda estão dentro de mim?

Escrita em: 10/12/2015
© 2015 Tiago De Lima Castro

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