Limites (21/06/2015)

Limites

Oh notória divisão cartesiana, mas não
Como cisão, e sim para referenciação
O maior limite de uma existência
É seu derradeiro momento final
Momento que se põe como certeza
Em plena evidência num abismo
De belíssimas incertezas e dúvidas

Mostrastes a mim tua face e rosto
Logo na infância, na visão dos que
Já extasiados pelo derradeiro limite
Vem visitar-nos desvelando sua face

Logo depois, permitira-me sentir
Em breves e intensos instantes
O derradeiro Tudo e Nada
Abraçaste-me brevemente

Primeiro, mostrastes a imortalidade
Depois, rememoraste a mortalidade
E da finitude dessa breve existência

No meu acrisolamento de meu eu
Despertastes o anseio de vida e
O anseio de buscar prazer e alegria
Afinal, ficou claro a mim o teu abraço
Em algum momento a se realizar

Tive tanto medo… De falhar…
De nada realizar dos infinitos
Anseios de minha memória
Tanta raiva de mim mesmo
Pela sensação de que meus
Limites de saúde são meras
Exteriorizações de culpas…

Mas a fome primordial se desvelou
O apetite pela realização de anseios
De aproveitar cada curto passar de
Momentos, de extasiar-se pelo fluxo
Da temporalidade na criação e gozo
Do aprendizado e de elaboração

Tantos textos a ler, tantas músicas a
Conhecer, tanto a tentar compor, tanto
A escrever, tanta doação de si a fazer…
Optei pelo intelecto e pela arte, afinal,
Pensara a minha existência seria breve
O que acarretaria profundo sofrimento
A alguém com quem a compartilhasse
Esse pode ter sido o maior dos erros

Muito a realizar, porém preciso respeitar
Minhas forças, minha saúde, meu sono
Meu equilíbrio, minha paz…

Aprender a focar tornou-se essencial
Afinal, vi tua sombra novamente este
Ano… Circulando os corredores por
Onde trabalho… Isso me alegra por
Tua visita, amada amiga, afinal, é a
Lembrança de que mergulharei em ti
Que impulsiona a realização de meus
Anseios mais profundos…

Tua bondade é tamanha que vens
Visitar-me para lembrar-me do seu
Retorno, mas também lembrando
De que os anseios só se realizarão
Se aprender a respeitar meus limites
A não macerar meu corpo com
Responsabilidades externas a mim
A não me flagelar com tristezas
Que, talvez, nem sejam minhas
De clamar a permitir-me criar
Novos laços e resgatar aqueles
Esquecidos e adormecidos…

Seguireis teu sábio conselho
Focando-me naquilo que é
Essencial no momento,
Doando meu amor aqueles
A quem efetivamente estimo
Somente por me sentir bem
Em fazê-lo…
Focando na elaboração intelectual
Com que a tantos anos sonhei
E buscarei não abandonar de vez
As terras de Morfeu, tão insigne
Cuidador de todos nós…

Muitos temem a tua presença
Já que nos observa durante
Toda a existência, mas a ti
Devo os anseios de vida, pois
Sem tua presença onipresente
Desperdiçamos tão nobre tempo

Escrita em: 21/06/2015

© 2015 Tiago de Lima Castro

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4 comentários sobre “Limites (21/06/2015)

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