Movimento Violão – Regina Albanez – 25/06/2014

cartaz-regina-albanezA importância de prestigiar o evento

O Movimento Violão, idealizado e organizado pelo Paulo Martelli tem grande importância por trazer grandes intérpretes. As apresentações ocorrem no SESC, sendo que esta edição tem entradas gratuitas. Mesmo em São Paulo, apresentações de grandes violonistas eruditos não é algo tão comum, tanto porque ainda há certo preconceito do ouvinte de música erudita com o repertório violonístico e por outro problema maios grave…

Infelizmente, nós, violonistas, temos o péssimo costume de ir pouco a recitais. É de grande importância professores estimularem seus alunos a irem nestes eventos, principalmente quando são acessíveis com este. O violonista profissional tem a dificuldade, muitas vezes, por estar trabalhando no horário destes eventos, entretanto, quando é possível a presença é de extrema importância.

Sem público não há condições de realizar esse tipo de evento, daí a importância de buscarmos prestigiar estas situações e ajudar a divulgá-las, afinal, tanto profissionais como amantes do instrumento só tem a ganhar com isso. Eu diria mais, o violão só tem a ganhar com isso…

Sobre o recital da Regina Albanez

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Regina Albanez estudou violão com o prof. Henrique, graduando-se em composição pela Unicamp. Mudou-se para Holanda em 1986, tendo estudo com o Prof. Toyohiko Satoh no Conservatório Real de Den Haag, apresentando-se regularmente em Festiviais Internacionais de Música Antiga, já tendo gravado 30 cds inclusive. Estas informações constam no programa, mas vamos agora ao recital.

Reigina Albanez com o Alaúde (Foto retirada da página oficial do Movimento Violão no Facebook)

Regina Albanez com o Alaúde (Foto retirada da página oficial do Movimento Violão no Facebook)

Ela iniciou tocando alaúde, o qual é um instrumento de cordas duplas, necessitando da técnica da figueta, o qual propõe o desafio ao intérprete de equilibrar sua sutil relação entre o ataque e a sustentação de cada nota com a devida articulação necessário ao repertório executado.

De maneira brilhante interpretou Luyz de Narvaez, Anônimo, Adrian le Roy, Luis de Milan, Alonso Mudarra e Francesco de Milano. Cada peça tinha uma precisão incrível na articulação e de grande precisão rítmica. Um grande deleite ver esse belo repertório tão bem interpretado, já que esta intérprete tem a capacidade de unir o conhecimento musicológico sobre as práticas interpretativas de música antiga com uma pulsão interpretativa brilhante. Era quase como estar na Renascença…

Ela explicou um pouco sobre o Alaúde e justificou-se sobre o o porquê emendar as peças., não dando tempo aos aplausos. Que pessoa incrível… Em seguida, executou peças de John Dowland com uma fluidez incrível.

Regina Albanez com a Guitarra Barroca (Foto retirada da página oficial do Movimento Violão no Facebook)

Regina Albanez com a Guitarra Barroca (Foto retirada da página oficial do Movimento Violão no Facebook)

Em seguida, falou um pouco sobre a guitarra barroca, inclusive comentando sobre as técnicas do rasqueado, ponteio e figueta pertencentes a prática do instrumento. Tocou peças de Santiago de Murcia, Gaspar Sanz e Antonio de Santa Cruz.

Ficar sentado durante a execução destas peças fora difícil, afinal, ele mostrou o caráter dançante dessas peças de maneira vibrante, tendo grande equilíbrio nos momentos em que  alternava as diferentes técnicas de execução do instrumento. Nas peças com maior necessidade de vigor rítmico, fazer a passagem entre momentos de rasqueado com a técnica de ponteio mantendo a peça equilibrada não é fácil, o que ela fez com grande naturalidade.

Também aqui, há o risco de uma interpretação focar-se tanto buscando estar historicamente correto, baseado nas pesquisas musicológicas, que pode torná-la muita acadêmica. Este não foi o caso do recital. Percebe-se o rigor com que ela pesquisou sobre o repertório e suas práticas interpretativas interiorizando-as de tal forma a fazer uma interpretação extasiante e vibrante

Ao terminar o recital, os efusivos aplausos eram naturais após a linda condução do recital. Ela acabou executando Canários do Gaspar Sans novamente como bis, afinal, quem ali não queria ouvi-la por mais algumas horas?

Claro que este não faz jus ao recital, por isso, deixo um vídeo aqui para você ter uma ideia de como foi. Recomendo que veja as informações nos links abaixo para não perder as próximas apresentações desse projeto. Inclusive, a apresentação foi filmada e logo deverá passar na TV Sesc, vejo as informações no site do projeto logo abaixo.

Mais informações

© 2014 Tiago de Lima Castro

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