Nerdices Filosóficas – Cristianismo e Ocidente: polêmica? E a cultura pop nisso?

Nerdices Filosóficas

Autor: Tiago de Lima Castro
Vitrine: Valério Gamer

No mês de Dezembro, é muito comum a espera pelo Natal, onde se comemora o nascimento de Jesus. Desde o século XVIII é comum criticar-se a influência do cristianismo oficial no ocidente, a questão é: Filosoficamente, o que o cristianismo trouxe ao ocidente?

Antes de iniciar a reflexão, é de vital importância não partimos da fé, seja qual for. Quando analisamos as consequências filosóficas do cristianismo a cultura ocidental, não são discussões como: “ser ou não ser cristão”; “ser ou não ser religioso”; “ser ou não ser ateu”, entre outros. Analisar a influência do cristianismo é fazer uma genealogia do nosso próprio modo de ser. A grande dificuldade desta análise é que muitos a realizam partindo de sua própria fé ou de seus problemas pessoais com a fé, o que não está em discussão aqui, mas sim a genealogia de nossa própria cultura.

Primeiro é necessário compreender que o mais correto historicamente seria falarmos de cristianismos, e não de cristianismo. Nos séculos I-II, havia movimentos que posteriores foram chamados de cristãos, os quais não eram homogêneos. Estes movimentos iniciaram-se através da oralidade e não de textos, que fora algo posterior. Tendemos a falar de cristianismo como sinônimo de Igreja Católica, o que somente existiu a partir do século IV, com diversos concílios ecumênicos, formando uma ortodoxia doutrinária e política, de certa maneira. Posteriormente, houve o grande cisma entre as Igrejas Ortodoxas e a Igreja Católica, depois ocorrendo o movimento da Reforma e Contrarreforma. Por isso, analisarmos a influência do cristianismo na filosofia e cultural ocidentais necessita partir de cristianismos, e não de um cristianismo único, devido às perspectivas surgidas no século XX e XXI para este ramo de pesquisa. Sugerimos alguns links ao final para quem quiser conhecer um pouco do tema.

Quando surge um cristianismo oficial enquanto religião do Império Romano, com Constantino I, no século IV, vai haver uma busca por relacionar para articular a filosofia com os princípios da fé cristã tornada oficial. Porém, analisar as implicações filosóficas disto propõe tanto uma análise das filosofias cristãs – o plural aqui também é necessário para haver maior precisão – como as implicações nas teorias políticas de um estado cristão. Do ponto de vista filosófica, é complicado falar em uma filosofia cristã, por exemplo, tanto devida a estas filosofias terem uma relação com teologias específicas, como dentro de uma mesma teologia possibilitar diferentes perspectivas filosóficas de um mesmo problema. O panorama é muito mais amplo do que aparenta ser, por isso o perigo de se utilizar de reducionismos a tratar destas questões.

Do Iluminismo, em meados do século XVIII, às críticas de Nietzsche, no século XIX, ocorre uma crítica ao cristianismo, porém, esta é voltada a um tipo específico de cristianismo fortemente relacionado à Igreja Católica e às Igrejas Reformados. São críticas importantes, porém, necessitam ser compreendidas dentro de seus alvos específicos e aos contextos em que foram escritas, para evitar uma leitura superficial destas.

Estas análises serão realizadas nos textos vindouros, porém, é importante discutir também qual a relação entre cristianismo e cultura pop, ou nerdice se preferir.

A cultura pop, e a nerdice, tem um forte influência da Idade Média, principalmente de uma imagem desta. O RPG, o cinema, quadrinhos, games, literatura fantástica, entre outros, tem circulado em torno de temas “medievais”, como honra, heróis, entre outros. Mesmo a figura do herói medieval tem reverberação nos heróis contemporâneos da cultura pop. Como no ocidente Idade Média é sinônimo de cristianismo da Igreja Católica Apostólica Romana, esta análise é extremamente interessante para a compreensão da cultura pop.

Pode-se questionar que a volta a Idade Média poderia ser devido a valores pagãos desta. O termo de paganismo tem origem para falar de todos que não sejam cristãos, ou seja, implica em reduzir sob um único denominador uma série de culturas diversas, o que é extremamente impreciso e desrespeitoso a estas culturas não-cristãs. O que houve foi certo sincretismo nas práticas religiosas, mas doutrinariamente o pensamento dominante fora daquele representado pela Igreja Católica.

Estas são algumas ideias postas para as análises seguintes, porém, é essencial colocar-se sob uma perspectiva de estudo e reflexão, e não de autoafirmação de uma fé ou não-fé.

Fontes de aprofundamento

“Quem vos ouve, ouve a mim”: tradições orais na transição do Jesus histórico ao cristianismo mais primitivo, Lair Amaro Faria

Revista Jesus Histórico

Publicado originalmente em: http://randomcast.com.br/nerdices-filosoficas-cristianismo-e-ocidente-polemica-e-a-cultura-pop-nisso/#titulo

© 2013 Tiago de Lima Castro

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