Games são arte? Ou não?

Vi este vídeo:

Do Link: http://omelete.uol.com.br/videos/videocast-omeletv-212-videogame-e-arte-e-uma-omelista-hitchcock/

E acabei escrevendo o texto ainda pensando no tema, o qual não é algo definitivo, mas uma reflexão que ainda necessitará ser trabalhada.

Eu tenho que ler o artigo do jornalista, mas a definição de arte colocada por ele, como base para o restante da discussão, me parece uma definição um pouco desfalcada, falar de arte daquela maneira no século XIX tudo bem, mas hoje soa um tanto quanto insuficiente.

Estou muito longe de ser um gamer, jogo muito pouco, mas penso que os jogos podem ser considerados arte devido a experiência da catarse vivida pelo jogador.

A questão da interferência do jogador retirar o caráter de arte é algo também anacrônico afinal, toda Bienal de Arte Contemporânea é composta por instalações que não podem ser classificadas na antiga relação observador versus objeto de arte. Ao longo da história da música, por exemplo, a experiência estética não se deu somente ao ouvir música, mas sim ao executá-la, como na música de câmara, entre muitos outros exemplos.

Sobre o caminho cinematográfico dos games, acho que isso pode ser um enfraquecimento aos games enquanto arte (é claro que isso pode ser questionado), pois seria uma cópia de outro tipo de narrativa. enquanto penso que os jogos mais interessantes, e talvez mais artísticos, vão caminhar numa construção de um novo tipo de narrativa.

Lembremos que desde a fotografia, o cinema, entre outros, não se tem aquela experiência imaginativa de ler um livro ou ouvir uma estória, mas com os games caminhando para uma narrativa mais influenciada pelo jogador, isso pode levar a um novo caminho narrativo onde o jogador não somente interfere com sua subjetividade no processo de apreensão do jogo, mas co-criador de caminhos narrativos. As próprias críticas a finais de jogos muito abertos me levam a pensar nisso.

Voltando a discussão sobre o Museu, o legal que um museu norte-americano de arte moderna acompanha as discussões estéticas tipicamente norte-americanas, onde com Dickie e Danto, se discute que para classificar algo como arte só é possível se for colocado num ambiente de arte, como um museu; haver narrativas sobre o próprio objeto de arte, e o fato de existir críticas de games corrobora; e a presença de pessoas que vão ao ambiente de arte, o museu, vê-la. Dentro desse contexto estético, o MOMA colocar games implica em trazer uma rediscussão do conceito de arte e uma corroboração, ou não, das teorias de Dickie e Danto. Tudo indica que a presença de games corroboram essa teoria, de uma maneira muito interessante.

Gostei de vocês terem trazido essa discussão à tona, o que valeu muito o bloco.

Tenho estudado estética como professor de filosofia, e tenho vontade de escrever um ensaio sobre esta questão, inclusive por não ser um gamer me provoca a pensar esse tema, entrando em paradoxo com a minha inabilidade com eles, mas sempre que penso sobre o tema caminho a essa ideia de considerar games arte.

Estranhamente, esse comentário sobre a discussão quase virou um ensaio…

Texto que originou a discussão

Sobre Danto

© 2013 Tiago de Lima Castro

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