Você sabe analisar as comunicações dos Espíritos?

Há 150 anos era lançado, em Paris, O livro dos médiuns. Por falta de conhecimento dessa obra, fenômenos que já foram esclarecidos ainda são tidos como sobrenaturais.

Fotocópia da Segunda Edição de O Livro dos Médiuns

Fotocṕia da Segunda Edição de O Livro dos Médiuns

Em Janeiro de 1861, entre os dias 5 e 10, chegava uma nova obra de Allan Kardec a livraria do sr. Didier, O Livro dos Médiuns. Esta obra cumpria o objetivo de trazer um complemento ao O Livro dos Espíritos, abordando o aspecto experimental do Espiritismo.

Seu grande mérito foi proporcionar a possibilidade de se compreender os fenômenos mediúnicos, o desenvolvimento da mediunidade, e obter uma orientação segura dos riscos de sua prática. Com sua experiência de pedagogo, Kardec também tratou de exemplificar e ensinar, como verificar se as mensagens tem conteúdo lógico e coerente ou se são mistificações, permitindo-nos aprender a separar o joio do trigo.

O aspecto pedagógico da obra é também visível ao mostrar o regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, não com o objetivo que outras sociedades funcionassem da mesma forma, mas para terem um ponto de partida ao organizarem-se.

Podemos considerar que, pela primeira vez na história, a mediunidade foi esclarecida a todos independentemente de iniciações, rituais, cargos sacerdotais, pois como Kardec nos diz na Revista Espírita de Janeiro de 1861 ao anunciar o lançamento desta obra, “com o pleno conhecimento da mediunidade, de seus riscos e escolhos e de seus objetivos, têm-se a segurança necessária a qualquer um poder praticá-la com segurança”.

Se resgatarmos a primeira edição de O Livro dos Espíritos, de 1857, veremos que o décimo capítulo do primeiro livro, intitulava-se Manifestação dos Espíritos, ou seja, perguntas sobre a mediunidade. Mas como este assunto gerou muitas dúvidas, Kardec, em 1858, ampliou-o em outra obra, chamada Instrução Prática sobre as Manifestações Espíritas.

Com estas obras, muitos grupos foram formando-se e enviando informações a Kardec, o que podemos acompanhar na Revista Espírita, levando-o a ampliar o próprio O Livro Dos Espíritos, no ano 1860, com o dobro de perguntas, mas sem aquele capítulo referente à mediunidade.

Isto se explica, pois um conjunto muito grande de informações foi acumulando, surgindo a necessidade de organizar esse material de forma que todos os queestudassem com seriedade pudessem pesquisar os fenômenos mediúnicos sem passar pelos escolhos que Kardec vivenciou, permitindo-se uma base teórica sólida para adentrar o Espiritismo Experimental, e assim em 1861 veio ao mundo O Livro dos Médiuns.

Na Revista Espírita, constatamos que as informações foram se ampliando ainda mais posteriormente, ao ponto de na obra A Gênese, de 1868, Kardec escrever o capítulo XIV que amplia as informações sobre o processo mediúnico, revisando inclusive alguns conceitos.

Neste ano, é importante refletirmos sobre a necessidade de sempre estudarmos O Livro dos Médiuns, que tem como objetivo complementar O Livro dos Espíritos, por ter sido, inclusive, parte integrante de sua primeira edição, fato comentado por Kardec na Revista Espírita de Janeiro de 1861. Todo espírita, médium ostensivo ou não, deveria estudar essa obra sempre, minunciosamente, minunciosamente, atendendo para o seu interessante conteúdo, com textos de Espíritos e suas respectivas análises. Vale ressaltar ainda a necessidade da leitura mais especial ao capítulo 31 – “Dissertações espíritas”, que por sua clareza e importância deveria ser tema recorrente de estudo e reflexão nos cursos mediúnicos e nas palestras espíritas. Afinal, muitas dificuldades seriam evitadasse soubéssemos realmente analisar as comunicações – sérias e enganosas.

Referências

KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Victor Tollendal Pacheco. Notas e apresentação de Herculano Pires. São Paulo: LAKE, 2005.

____________. O Primeiro Livro dos Espíritos. Tradução de Canuto Abreu. São Paulo: Companhia Editora Ismael, 1957.

____________. O Livro dos Médiuns. Tradução de Herculano Pires. Capivari: Editora EME, 1997.

____________. Instrucção Pratica sobre as Manifestações Espiritas. Tradução de Cairbar Schutel. 2. ed. Matão: Livraria do Clarim, 193_.

____________. Revista Espírita: Terceiro Ano – 1860. Tradução de Salvador Gentile. Araras: IDE, 1993.

____________. Revista Espírita: Quarto Ano – 1861. Tradução de Salvador Gentile. Araras: IDE, 1993.

Publicado no Jornal Correio Fraterno, Ano 43, N 435 – Janeiro/Fevereiro de 2011

Link do Jornal: http://issuu.com/correiofraterno/docs/correiofraterno437

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