Música: O Enigma entre o homem e Deus

Nas perguntas 5 e 6 de o livro dos espíritos, vemos que o fato de termos um sentimento intuitivo da existência de Deus em todos tempos, mesmo entre os povos mais primitivos, é uma prova de sua existência. De mesma forma, na questão 650 e 651, constatamos que a adoração a Deus vem de um sentimento inato e que jamais houve povos ateus.

Talvez você esteja se perguntando, mas o que isso tem haver com a música, afinal? Tente pensar em alguma prática religiosa que não use música de algum modo. Podemos pensar, por exemplo, nas diversas igrejas cristãs e nos próprios mártires cantavam ao serem levados ao Coliseu. Com o tempo, desenvolveram-se os cantos gregorianos, música litúrgica, hinos protestantes, os padres cantores na atualidade. Podemos afirmar, ainda, que toda música ocidental desenvolveu-se primeiramente nos monastérios, passou pela crise humanista da Renascença, adaptou-se a Reforma protestante, para depois continuar seu percurso.

Se formos um pouco mais ao passado, veremos os antigos hebreus com seus cânticos, suas trombetas, e o deus grego Apolo, presenteando a Humanidade com o instrumento que daria origem ao violão moderno. Imagens de instrumentos musicais estão desenhados nas pirâmides egípcias, nos zigurates mesopotâmicos, construções com fins de adorar a Divindade, dentre suas crenças particulares. Há ainda tambores sendo utilizados em ritos africanos, chineses, japoneses, indianos, em povos europeus anteriores ao cristianismo, como exemplo os povos celtas…

Vale lembrar de Pitágoras que, ao partir da harmonia musical, descobriu as frações numéricas. Ao verificar que um som originava outro, interpretou a realidade como o próprio número, sendo sua manifestação a música das Esferas, que também levaria Platão e outros pensadores a inúmeras reflexões.

A própria arqueologia mostra instrumentos rudimentares, principalmente as flautas e percussões, dentro de rituais nos povos mais primitivos, independente do povo e sua religiosidade particular. Assim, vemos a música sempre inserida como elemento de intermediação do Homem com o Sagrado. Efetivamente, é difícil entender a história da música sem o seu contexto nas práticas religiosas, a não ser que foquemos na Música Ocidental a partir da Idade Moderna, mas isto já é outro assunto…

De forma que o próprio percurso do ser humano e sua relação com a música, como maneira de ligação entre o Homem e o Sagrado nas práticas religiosas, são uma das provas da existência de Deus, como os Espíritos nos mostram na codificação, já que desde os povos mais primitivos, a música tem como principal função, intermediar essa ligação. E ainda fica uma reflexão: por que, intuitivamente, sempre utilizamos a música como forma de nos ligar a Deus?

A história da música no próprio percurso do ser humano, que dela se serve como meio para buscar o Sagrado nas práticas religiosas não seria também uma das provas da existência de Deus? Afinal, esse contato também intuitivo sempre existiu em todas as épocas, desde os povos mais primitivos, demonstrando-nos que a música também teria como principal função justamente intermediar essa ligação.

Tiago de Lima Castro

Publicado em: Correio Fraterno – Número 433 – Edição de Maio/Junho de 2010

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