Amar
1960 – ANTOLOGIA POÉTICA
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar,desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
Fonte: http://www.carlosdrummonddeandrade.com.br/poemas.php?poema=11
29 / outubro /2009
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José
1960 – ANTOLOGIA POÉTICA
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade
Fonte: http://www.carlosdrummonddeandrade.com.br/poemas.php?poema=11
29 / outubro /2009
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Esboço de uma nova teoria da alma humana
Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundia-se misteriosamente com o luar que vinha de fora. Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo.
Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os que falavam;
mas, além deles, havia na sala um quinto personagem, calado, pensando,
cochilando, cuja espórtula no debate não passava de um ou outro resmungo de aprovação. Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinqüenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico. Não discutia nunca; e defendia-se da abstenção com um paradoxo, dizendo que a discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança bestial; e acrescentava que os serafins e os querubins não controvertiam nada, e, aliás, eram a perfeição espiritual e eterna. Como desse esta mesma resposta naquela noite, contestou-lhe um dos presentes, e desafiou-o a demonstrar o que dizia, se era capaz. Jacobina (assim se chamava ele) refletiu um instante, e respondeu:
- Pensando bem, talvez o senhor tenha razão.
Vai senão quando, no meio da noite, sucedeu que este casmurro usou
da palavra, e não dois ou três minutos, mas trinta ou quarenta. A conversa, em seus meandros, veio a cair na natureza da alma, ponto que dividiu radicalmente os quatro amigos. Cada cabeça, cada sentença; não só o acordo, mas a mesma discussão tornou-se difícil, senão impossível, pela multiplicidade das questões que se deduziram do tronco principal e um pouco, talvez, pela inconsistência dos pareceres. Um dos argumentadores pediu ao Jacobina alguma opinião, – uma conjetura, ao menos.
- Nem conjetura, nem opinião, redargüiu ele; uma ou outra pode dar
lugar a dissentimento, e, como sabem, eu não discuto. Mas, se querem
ouvir-me calados, posso contar-lhes um caso de minha vida, em que ressalta a mais clara demonstração acerca da matéria de que se trata. Em primeiro lugar, não há uma só alma, há duas…
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1 / setembro /2008
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-Se quer seguir-me, narro-lhe; não uma aventura, mas experiência, a que me induziram, alternadamente, séries de raciocínios e intuições. Tomou-me tempo, desânimos, esforços. Dela me prezo, sem vangloriar-me. Surpreendo-me, porém, um tanto à-parte de todos, penetrando conhecimento que os outros ainda Ignoram. O senhor, por exemplo, que sabe e estuda, suponho nem tenha idéia do que seja na verdade – um espelho? Demais, decerto, das noções de física, com que se familiarizou, as leis da óptica. Reporto-me ao transcendente. Tudo, aliás, é a ponta de um mistério. Inclusive, os fatos. Ou a tusência deles. Duvida? Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo.
Fixemo-nos no concreto. O espelho, são muitos, captando-lhe as feições; todos refletem-lhe o rosto, e o senhor crê-se com aspecto próprio e praticamente imudado, do qual lhe dão imagem fiel. Mas – que espelho? Há-os “bons” e “maus”, os que favorecem e os que de-traem; e os que são apenas honestos, pois não. E onde situar o nível e ponto dessa honestidade ou fidedignidade? Como é que o senhor, eu, os restantes próximos, Somos, no visível? O senhor dirá: as fotografias o comprovam. Respondo: que, além de prevalecerem para as lentes das máquinas objeções análogas, seus resultados apóiam antes que desmentem a minha tese, tanto revelam superporem-se aos dados iconográficos os índices do misterioso. Ainda que tirados de imediato um após outro, os retratos sempre serão entre si muito diferentes. Se nunca atentou nisso, é porque vivemos, de modo Incorrigível, distraídos das coisas mais importantes. E as máscaras, moldadas nos rostos? Valem, grosso modo, para o falquejo das formas, não para o explodir da expressão, o dinamismo fisionômico. Não se esqueça, é de fenômenos sutis que estamos tratando.
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29 / julho /2008
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A algum tempo estive pesquisando sobre a história do violão, e ao chegar no site Violão Mandrião, na página em que ele fala sobre Gaspar Sanz, verifiquei algo muito interessante que cito a seguir:
“Estes livros contém varias instruções sobre como improvisar e executar a música de guitarra usando dois métodos: el tañer de rasgueado (método italiano) e el tañer de punteado (método español). Sanz acreditava que p primeiro método se adaptava melhor com as danças musicais. Os acordes de rasqueado eram escritos com letras do alfabeto, da mesma maneira da notação italiana. Mas a maior parte de suas composições estavam escritas em tablatura onde as linhas representam as cordas da guitarra e os números o traste onde a corda deve ser presa.“
O fato interessante é que no universo da Viola Caipira, o termo Pontear ainda é muito utilizado. O termo Rasgueado é utilizado, também, entre violonistas, mas o termo ponteio foi caindo em desuso.
O Aurélio nos apresenta que ponteio é a arte de pontear, e pontear significado:
“1. Marcar com pontos, pontilhar. 2. Marcar com os pontos de costura ou com alinhavo 3. Mús. Colocar os dedos nos pontos de (instrumento de corda dotado de ponto ou de trastos), enquanto a mão direita dedilha; tanger, tocar; dedilhar. 4 Dedilhar (cordas de instrumento). [Conjug.: v. frear]“
E, no mesmo dicionário, como ele descreve o vocábulo dedilhar:
1. Fazer vibrar com os dedos 2. Mús. Executar com os dedos (peça ou trecho musical) em instrumentos de cordas. 3. Mús. Indicar por algarismo o dedo de que o executante se deve servir para cada nota em (peça ou trecho de peça musical)
Vejamos agora que definções nos traz o dicionário Michaelis:
dedilhar
de.di.lhar
(dedo+ilhar) vtd 1 Fazer vibrar com os dedos as cordas de (instrumento de música): Dedilhavam ambos bandolins desafinados. 2 Executar (trecho de música) em instrumento de cordas que se toca com os dedos (harpa, violão etc.): Pegou da viola e dedilhou uma toada sertaneja. Com uma só das mãos dedilhou umas toadas bem conhecidas. 3 Mover com os dedos as teclas de instrumento de sopro: Mestre Olivier dedilhava com virtuosismo o clarinete. 4 Indicar, por algarismos, o dedo de que se deve servir o executante para cada nota (de trecho musical).
pontear1
pon.te.ar1
(ponta+ear) vtd e vint 1 Ir na ponta ou à frente do rebanho (falando de animais): “Leôncio… reconheceu o animal tordilho a pontear a tropa” (Francisco Marins). Vinha o baio ponteando. vtd 2 Escult Desbastar pedra com ponta ou ponteiro.
pontear2
pon.te.ar2
(ponto+ear) vtd 1 Cobrir ou marcar com pontos: Pontear um mapa, um desenho. 2 Alinhavar, coser: “Pontear a bainha de um lenço” (Morais). 3 Mús Dedilhar, tanger, tocar (instrumentos de corda).
ponteio
pon.tei.o
sm (der regressiva de pontear) Mús Ato ou efeito de pontear2
Pelo que vemos o termo pontear já é encontrado no método de Gaspar Sanz (o qual foi postado neste blog) e cada um dos dicionários consultados apresentam o termo ou como movimento da mão sobre os trastes, neste caso o Aurélio; ou como sinônimo de dedilhar, neste caso o Michaelis.
Ao escutar os violeiros vemos que o termo pontear é usado para todo momento que tocamos alguma melodia na viola, diferente do ragueado, referente a quando se “acompanha” com os acordes.
Poderíamos falar sobre a forma dos Ponteios escritos por compositores de musica de concerto, mas isto para outra ocasião….
A conclusão é que o termo é bem antigo e não é errado, incrível como no interrior do país se manteve um termo utilizado na Guitarra Barroca (logo vamos discutir sobre sua ligação com a Viola Caipira) e mantido pela tradição, a parte que nas zonas urbanas o termo caiu em desuso, sendo utilizado, no sentido de tocar alguma melodia com o instrumento na linguagem popular, o termo dedilhar.
21 / julho /2008
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Tiago de Lima Castro |
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Eu fui um dos professores que participou deste evento e abaixo você pode ver algumas fotos, e no final a noticia sobre ele no site da prefeitura.

Um senhor que nao recordo o nome, o Carlos e eu

Aqui já estou " violando"

Ainda "violando", o pessoal que trabalha no banco deve ter estranhado de repente ouvir Tristeza do Jeca na viola solo

Aqui um pouco mais longe...
Vai também o Link da prefeitura comentando o evento:
http://www.saocaetanodosul.sp.gov.br/pagina.asp?ID_Pagina=9603
Exposição Arte e Ousadia é inaugurada em praça pública
Jessica Cavalheiro
da Redação
A história do Brasil nos últimos 50 anos é o tema da exposição fotográfica Arte e Ousadia – o Brasil na coleção Sattamini, inaugurada nesta terça-feira (6/5), em evento promovido pela Diretoria da Cultura de São Caetano do Sul em parceria com a Companhia de Gás de São Paulo (Comgás). A mostra, ao ar livre, pode ser visitada na Praça Cardeal Arcoverde, Centro, até 1 de junho.
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15 / julho /2008
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Tiago de Lima Castro |
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São Gonçalo de Amarante (Santo dos Violeiros)
São Gonçalo, o santo violeiro… Tantas danças, festas ao longo do Brasil, este não é só uma figura do folclore, foi uma pessoa real, conhecida em Portugal como São Gonçalo de Aramante. Mas quem foi esse “caboco”? Porque tantas comemorações em seu nome?????
Ele viveu entre 1187 e 1258. Ao se tornar padre, passou a usar a maior parte do dinheiro da paróquia para cuidar dos pobres, chegou mesmo a visitar a “Terra Santa” e quando retornou entrou na vida de medingância e eremita por ter ver sue sobrinho se aproveitando do dinheiro arrecado. Depois entro para a Ordem Dominicana, mas tem um “causo” sobre isso…
Contem que enquanto morando numa caverna, ele viu a Virgem Maria após ter rezado e pedido a sua aparição, desta visão ele entrou para a Ordem Dominicana.
Contam que ele também realizou várias curas…
Mas ficou muito conhecido pela forma que pregava, com canções misturando danças populares com letras de caráter religioso na língua do povo, não no Latim. Isto é similar ao que faziam os Franciscanos, e posteriormente a Igreja Protestante e atualmente com os carismáticos. Não podemos deixar de pensar que essa mistura do profano com o sacro também influenciaria a estética musical Renascentista anos depois.
Enquanto animava os bailes com suas canções, e recolhia algumas doações, ajudou muitas viúvas e moças sem dote a conseguirem um casamento., Também fez o mesmo para evitar que muitas prostitutas não trabalhassem, e dizem que algumas ele até encaminhou ao casamento.

São Gonçalo com a Viola
Cada causo não? Quem diria que naquela época haveria um pregador que entendesse o papel da mulher numa sociedade onde sem um marido, ou uma família, a lhe sustentar o único caminho era a prostituição, seguindo o exemplo daquele moço lá (como diria o violeiro Paulo Freire) que quando iam atirar pedras na prostituta arrependida diria “Ocêis aí, atira a pedra o caboco que nunca pecou…”
Por isso vamos então dança para São Gonçalo, além de santo violeiro, e dizem que violeiro ganha até do próprio tinhoso, via mais que muita gente….
Para saber mais sobre o “Santo Violeiro” tem uns sites muito bons:
10 / julho /2008
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Tiago de Lima Castro |
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O que um artigo sobre Software Livre e outros projetos tem haver com este Blog?
Já imaginaram o quanto temos crescido com a Internet? Com este livros que citei o endereço em outras postagens?
Finalmente na história temos “livre” acesso a informação e podemos trabalhar para que esta liberdade seja de todos e continue livre,.
Essa liberdade, tão almejada ao longo da história, tem uma força transformadora que ainda não imaginamos no que resultará. Já imaginaram os povos na Antiguidade se vissem toda esta liberdade?
Mas seŕa que podemos perdê-la? Será que essa liberdade já está, ou poderá, um dia deixar de ser livre?
Na mesma velocidade que a Internet evoluiu, ela pode se transformar…
Precisamos ficar atentos….
Ajude a sustentar a Wikipédia e outros projetos, sem colocar a mão no bolso, e concorra a um Eee PC!
…e também a pen drives, card drives, camisetas geeks, livros e mais! O BR-Linux e o Efetividade lançaram uma campanha para ajudar a Wikimedia Foundation e outros mantenedores de projetos que usamos no dia-a-dia on-line. Se você puder doar diretamente, ou contribuir de outra forma, são sempre melhores opções. Mas se não puder, veja as regras da promoção e participe – quanto mais divulgação, maior será a doação do BR-Linux e do Efetividade, e você ainda concorre a diversos brindes!
25 / junho /2008
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Tiago de Lima Castro |
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